sábado, 2 de janeiro de 2010

Eu, cigano salesiano

Meu nome é Salvatore Policino. Tenho 27 anos. Venho de Vasto. Sou salesiano há seis anos. Um pouco mais. Sou cigano dos Abruzzi (Itália): o primeiro até agora na Itália a optar por seguir Jesus Cristo caminhando nas pegadas de Dom Bosco. Meu pai é rom e minha mãe cági. Eles decidiram construir, com a sua vida e com o auxílio de Deus, um lindo projeto de amor: e nele entramos a fazer parte também eu e minha irmã. Fui batizado poucos meses depois de nascer. Depois, eu e a Igreja fizemos uma longa pausa de reflexão. Pausa que durou quase 15 anos. Durante o primeiro ano de ‘escola média’ conheci um salesiano. Não sabia bem exatamente o que fossem os salesianos. Mas era um padre diferente dos demais: falava de Jesus lendo a vida de todos os dias com o Evangelho. Mas sempre um sacerdote, é claro. (Naquele tempo não me interessava muito por padres, igreja, oração...) Depois de alguns anos em que vivia a maior parte do meu tempo livre na rua, com uma turma de amigos “muito vivazes” (tanto os rom quanto os cági), indo ao encalço dos mitos da honra (mas da honra fruto da violência, da força física, da desordem: fruto da astúcia que desconfia do outro e cujo lema é “Engane seu próximo antes que ele engane você!”), aos 15 anos acabei aportando no oratório. Então já tinha vivido a maior parte das experiências que a rua e a inquietação juvenil nos possam oferecer. Chegando no oratório, reencontrei aquele salesiano do curso médio e um jovem clérigo, dos quais me tornei amigo. Via que eles se interessavam seriamente por minha pessoa e que, para além de qualquer preconceito racial, queriam saber quem eu era, por que eu criava tantas dificuldades para viver de modo mais transparente. No oratório encontrei um ambiente que não era lá muito mais diferente daquele da rua naquilo que se referia a preconceitos sobre os ciganos – se desaparecia alguma coisa, eu era o primeiro a ser indagado e ter que dar explicações! –, mas que de qualquer forma era um ambiente sereno, capaz de mostrar que se pode realmente mudar de vida, se pode realmente fazer uma caminhada de integração. De síntese. De síntese entre o que há de melhor das diversas culturas. Em dois anos recuperei a caminhada da catequese de um jeito todo particular, para a primeira eucaristia, recebida aos 17 anos. Com o encarregado do oratório fizemos uma caminhada semanal de um ano: eu falava da cultura cigana ou das experiências feitas na rua, ele me ajudava a lê-las com o Evangelho, aprendendo a descobrir o que agrada a Deus e o que é preciso... deixar morrer. Para a Crisma, recebida aos 18 anos, o Diretor, que era também Pároco, vistas as minhas experiências anteriores, decidiu que era melhor para mim preparar-me junto com os adultos, enfrentando a catequese feita à luz da leitura continuada do Evangelho de são João (também nesta experiência pude ler a minha vida à luz da Palavra). Depois os salesianos – enquanto terminava o último ano de contabilidade e me questionava sobre o futuro – convidaram-me a freqüentar o grupo vocacional da Inspetoria. Quando meus pais souberam de minha opção de querer-me seriamente questionar se Deus me queria salesiano ou não, aceitaram com alegria e serenidade a caminhada que eu queria fazer. Foi assim que no dia 11 de setembro de do 2001 empreendi a minha caminhada: e estou ainda aqui a falar convosco. Faz dois meses que fiz a Profissão religiosa perpétua. E caminho decididamente! Fonte: Formação Missionária do SDB. Para acessar o conteúdo completo clique aqui!

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