quinta-feira, 27 de setembro de 2007

UM EXISTIR APAIXONADO


O universo no qual vivemos é magnífico e espetacularmente belo. E nós estamos nele. Heidegger, um filósofo existencialista alemão, dizia que cada um é um “ser-no-mundo”, mas um ser “jogado-no-mundo”. Compartilhamos com ele do termo dasein (ser-no-mundo), mas não que somos “jogados-no-mundo”.

Somos “seres-no-mundo” e “para-além-do-mundo”! Para a grande parte dos filósofos existencialistas a nossa existência é limitada entre o nosso nascimento e a nossa morte. E não há como pensar-nos como seres existentes sem que pensemos igualmente como não existentes, ou seja, na possibilidade de não mais existir. É, na verdade, a impossibilidade da possibilidade de continuar existindo!

Talvez a morte seja a única certeza que muitos têm sobre o amanhã! Mas não importando no que acreditamos ou deixamos de acreditar necessitamos ser (existentes) de tal modo que ao final de nossas vidas possamos concluir que valeu a pena existir. Temos que viver plenamente toda a potencialidade da nossa essência (esse+ente = esse (ser, fundamento, “perfume”) do ente (no caso, do “eu que existo”)). Portanto temos que entregar-nos totalmente à vida a ponto de afirmarmos que só existimos se vivemos em profundidade a nossa essência: “ser-no-mundo-com-os-outros” e numa perspectiva maior ser também um “ser-com-Deus”!

Arrisco dizer que nossa essência existente é divina e humana. Isto é, somos criados por um Deus que nos ama e nos concede o dom da vida, ou seja, o dom da existência. E ao mesmo e tempo é humana, pois imperfeita, ainda por concluir. Somos livres para decidir nossa existência (somos livres, inclusive, para não crer em Deus) sem temermos que tudo esteja definido pelo nosso signo ou previsões absurdas de uma cartomante.

Porém, a liberdade não pode ser confundida com libertinagem. Liberdade só existe com responsabilidade. Liberdade sem responsabilidade é libertina e ofende a dignidade da própria existência e do outro! Temos uma responsabilidade ante a nossa existência, pois ainda que seja “minha vida”, do ponto de vista religioso ela é dom de Deus e, por isso, inviolável, ou seja, não posso deliberadamente ir contra ela.

Em outras palavras, não tenho o direito de agredir-me a mim mesmo. Das ciências humanas, a vida é um valor da humanidade, a “minha vida” então é um bem comum a todos. Não posso, portanto, ir contra ela sem estar, deste modo, causando um prejuízo moral e ético a toda a comunidade. Igual postura deve também ser aplicada aos outros que comigo “são-no-mundo”. A discussão sobre a existência não se limita as estas poucas palavras tão pouco se esgota todo o seu significado e reflexão possível neste.

No entanto, penso que, necessariamente, urge pensar mais sobre a nossa existência, sobre a nossa ação moral e ética na sociedade em que nos encontramos.! O nosso existir precisa ser apaixonado! Viver dever ser, e precisa ser, algo de tal modo excitante que cada momento valha a pena sentir. Sejam eles momentos de tristeza, de dor, de alegria, felicidade, prazer, cada um deles precisa ser vivido “como se fosse o último” para que, se cremos em Deus, nossa existência vala a eternidade e, se não cremos, que seja digna de permanecer por um longo tempo na mente daqueles que conviveram conosco! Que o meu e o seu existir seja digno de ser lembrado pelos séculos e pela eternidade, ainda que escondido a todo o resto do mundo!

2 comentários:

O filósofo [ajkrul] disse...

Ser no mundo, significa SER ALGO EXISTENTE; somos pessoas que existimos.
O termo "jogado-no-mundo" segundo Heidegger, quer dizer que não pedimos para nascer! Fomos gerados pelos nossos pais, sem opção de escolha! Quem determinou o nosso nascimento foi o milagre da vida, que cientificamente se deu através da fecundação do óvulo pelo espermatozóide; devido a "boa qualidade do DNA" contido neles, formou-se a base para o desenvolvimento do que eu sou, e do que cada um de nós somos!
Alguém que está vivo, e que neste momento está lendo este texto, pode opinar sobre o dia e a hora que queria que seus pais tivéssem uma relação sexual da onde surgissemos? Alguém determinou se queria nascer ou não!? O que vou falar aqui será um pouco pesado: Quando o espermatozóide fecundou o óvulo (momento este que é considerado o início da vida), por exemplo, este novo ser (eu, você) não teve a consciência de gritar: "EU NÃÃÃÃÃO QUERO NAAAAASCEEEEEEEEEEER; QUERO SER UM ABORTO!" É claro que isto não tem nexo! Pois como disse meu colega Belotto,ninguém tem o direito de tirar a própria vida, já que ela é um bem comum a toda humanidade.
Nesta lógica, até mesmo, os únicos que poderiam ter optado por abortar este novo ser existente, também não possuem este direito!
Portanto, a vida que é uma dádiva, direito de todos, não deve acontecer por opção, mas por DEVER. Devemos nascer, viver, e deixar o legado da nossa existência.

Cleusa disse...

Olá, Belotto, fiquei honrada c sua visita ao meu cantinho. Adorei seus textos. Certa vez a professora de um de meus filhos enviou esta pergunta p ser respondida - p q sou importante? - nós refletimos e chegamos a seguinte conclusão - sou importante pq além de mim está meu próximo. N estudei Heidegger, mas posso afirmar que o termo "jogado" possui uma carga negativa. Como sou extremamente curiosa, me sinto inclinada a ler o texto original do citado filósofo hehe. Porém é interessante tomar o q supomos relevante na filosofia ou em qq outra área. Mesmo o doido do Sartre, no fim da vida, transpôs o materialismo existencialista. Qto à educação, tenho observado q mtos professores não gostam de se posicionar, preferem manter sua vida privada, isso afasta os alunos. P q manter a vida privada? Falta de opinião? De coerência entre o dizer e o fazer? N sei. Mas sei q se os alunos percebem q são valorizados, respeitados, enfim, q o professor é amigo e é humano, eles normalmente reagem positivamente. Há q se levar em conta tbm q a família pesa neste relacionamento. N vou me estender neste complexo problema social. E a escola n pode fazer o papel q a família deveria fazer. Uma coisa é patente - somente o maciço investimento em educação a tiraria do caos em q está.
Percebi c satisfação q temos mtos pontos de vista em comum.
Grde abraço