sábado, 4 de junho de 2016

8. João caiu da árvore

João tinha uma habilidade extraordinária para trepar em árvores, por mais altas que fossem. Certo dia, subiu num carvalho para agarrar uma ninhada de passarinhos.

Num abrir e fechar de olhos alcançou o topo da árvore mas restava ainda chegar até a ninhada, situada na ponta de um galho comprido que se dobrava facilmente sob o seu peso.

João não desanimou tão pouco. Devagarinho, com muito cuidado, alcançou o ninho. Apoderou-se de todos os filhotes, um por um. Até aqui as coisas tinham corrido bem; mas de repente ele escorregou-se ao galho com as mãos. A posição era bastante crítica. Joãozinho teve a intuição disso e, depois de desesperadas tentativas para alcançar o tronco, deixou-se cair com toda a cautela e destreza possíveis para cair a prumo, na ponta dos pés e ressaltar para a frente.

A acrobacia deu ótimo resultado, o que não impediu porém que ele se lembrasse do tombo durante muito tempo.
Cada vez que contava essa aventura ele ria do susto pelo qual passara.

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FONTECHIAVARINO, SORRISOS de DOM BOSCO. VI Edição, Ed. Paulinas, São Paulo, 1959, o "sorriso" de hoje encontra-se à páginas 18 a 19.

terça-feira, 31 de maio de 2016

7. Pão preto e bom coração

Figura da página 17 do livro
João Bosco era pastor e tinha por companheiro um menino chamado Segundo Matta, empregadinho de um sítio da vizinhança.
Segundo costumava levar para o lanche um pedaço de pão preto, ao passo que Joãozinho recebia de sua mãe um pão muito branco. Muitas vezes dizia ele ao amigo:

- Você quer fazer-me um favor?

- Quer trocar o seu pão pelo meu?

- Com muito gosto, respondia Segundo.

- Porquê?

- Deve ser mais gostoso, ou pelo menos me agrada mais.

Segundo, pensando na sua simplicidade, que Joãozinho achava o seu pão realmente mais gostoso, aceitava logo.
A coisa continuou durante duas primaveras seguidas se bem que o pão preto e duro de Segundo estivesse longe de ser uma guloseima.

Mais tarde quando Matta, já homem feito, compreendeu o fato, lembrava-o frequentemente a D. Bosco e os dois riam da brincadeira.

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FONTECHIAVARINO, SORRISOS de DOM BOSCO. VI Edição, Ed. Paulinas, São Paulo, 1959, o "sorriso" de hoje encontra-se à páginas 16 a 18.

6. O heroísmo de sua mãe

Uma pessoa que morava perto do Becchi, povoação natal de D. Bosco, tinha recebido em sua casa um forasteiro.
Todo o mundo comentava o caso; mas, como sempre, ninguém ousava, por termo ao escândalo, que era certo.
Margarida, a mãe de D. Bosco, encarregou-se disso.

Um belo dia dirigiu-se para a casa da tal pessoa, acompanhada pelo filho. Chegando lá, bateu à porta e chamou pelo nome:

- Marta!.... Marta!...

Passaram-se alguns minutos; por fim ela apareceu no vão da porta que conservou entreaberta e começou a dizer muito atrapalhada:

- É você, Margarida?!... que bons ventos a trazem?

- Sim, Marta, sou eu. Posso falar-lhe um instante?

- À vontade.

- Então você é Marta, a filha do homem santo que foi seu pai?

- Justamente!

- E você é cristã?

- Que pergunta!

- Vai a Igreja? Comunga pela Páscoa?

- Qual o fim deste interrogatório?

- Pois bem, você quer que eu, sua amiga, a condene ao inferno?

Marta, que não precisava de melhor explicação para entender do que se tratava, balbuciou corando:

- Você bem sabe como a minha situação é triste!

- A sua obrigação é não dar escândalo e evitar o inferno!

- Não sei o que fazer.

- Se você não sabe, eu sei!

E aproximando-se da porta, escancarou-a, gritando:

- Fora daqui, escravo do demônio!... Fora daqui, assassino de almas!

Enquanto isso, as pessoas da vizinhança aglomeravam-se em frente à casa começavam a vociferar. Em vista disso o patife, cujo desejo era estar bem longe dali nessa hora, procurando uma saída, fugiu precipitadamente tropeçando e descambando pelos declives abaixo.

Depois desse dia, ninguém mais o viu nas redondezas.

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FONTECHIAVARINO, SORRISOS de DOM BOSCO. VI Edição, Ed. Paulinas, São Paulo, 1959, o "sorriso" de hoje encontra-se à páginas 14 a 16.

sábado, 21 de maio de 2016

5. Os Espíritos

João Bosco era um menino corajoso e intrépido. Certa ocasião em casa dos avós maternos ouviu falar de espíritos. De vez em quando ouviam-se, naquela casa, ruídos mais ou menos duradouros, mas sempre estranhos e amedrontadores, que vinham do sótão.
João ria-se de tais loucuras e esforçava-se para explicar que o barulho provinha certamente de causas naturais; mas ninguém acreditava, pelo contrário zombavam dele.
Eis porém que certa noite, no melhor do serão[1], ouve-se um barulho no sótão, como se uma cesta de madeira tivesse virado; depois do ruído surdo e lento que vai de um lado para outro do quarto.
Todos estremecem... tomados de susto.

- O que será?!
- O que será?!
- Os espíritos, os espíritos!....

E fogem todos; Joãozinho grita cheio de coragem:

- Quero ver o que há... tragam uma lanterna.

Alguns param, pegam lanternas e o seguem pela escada de madeira que conduz ao sótão.
João empurra a porta, entra, e suspendendo a luz inspeciona o quarto. Não há ninguém ali: tudo é silêncio. Pouco a pouco os presentes aproximam-se: alguns entram, mas logo dão um grito e fogem precipitadamente. Um balaio que estava no conto, põe-se a andar sozinho e avança lentamente. Ao som dos gritos estaca para pôr-se em movimento logo após. Chega até aos pés de Joãozinho que, em lugar de fugir, reanima aos outros e dá alguns passos para dentro do aposento. Pousando a lanterna sobre uma cadeira velha, ele se abaixa para agarrar o cesto.

- Deixe! deixe! .... gritavam os outros em coro. 

Mas ele nãos presta atenção e, corajosamente, ergue o balaio.

Foi uma gargalhada gostosa!... Debaixo do cesto havia uma galinha que a patroa pusera lá em cima para chocar e de cuja existência ninguém se lembrava.
No balaio, pendurado à parede, havia alguns grãos de trigo e a galinha, esfomeada tentara alcança-los; mas o cesto, caindo por cima dela, a tinha aprisionado e a pobre, muito assustada, andava de um lado para outro sem conseguir libertar-se.
As conversas – cujo assunto preferido eram espíritos, magias, feitiçarias e bruxas – o silêncio e a escuridão da noite, o teto de tábuas e sobretudo o medo tinham tornado os ruídos formidáveis aos ouvidos dos outros. O incrédulo Joãozinho foi o único que lhes deu o justo valor, merecendo os aplausos de todos que depois riram com ele do medo que tinham tido.

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FONTECHIAVARINO, SORRISOS de DOM BOSCO. VI Edição, Ed. Paulinas, São Paulo, 1959, o "sorriso" de hoje encontra-se à páginas 13 a 14.




[1] Serão: s.m. (1) O trabalho que se realiza fora do horário do expediente; ofício noturno que se pode estender até a manhã seguinte; seroada. (2) O tempo em que acontece esse trabalho e o valor recebido pelo mesmo. (3) Período de tempo situado depois do jantar até o horário de dormir. (4) Conjunto de pessoas que se reúnem para fazer atividades recreativas como: ouvir músicas, recitar poesias, conversar etc; sarau. (Etm. do latim: seranum/serum.i)

sábado, 20 de junho de 2015

4. A vara de marmelo

Certa ocasião, levado pelo seu temperamento vivo e travesso, ele fizera algumas travessuras próprias da idade. A mãe chamou-o e, indicando uma vara que estava a um canto, lhe disse:

- Joãozinho, você está vendo aquela vara?
- Estou, sim... respondeu Joãozinho amedrontado.
- Vá busca-la e traga-ma aqui.
- O que é que a senhora quer fazer com ela?
- Traga-me e verá.

Joãozinho foi buscar a vara e a entregou dizendo:

- Ah! A senhora quer usá-la nas minhas costas!
- E porque não, se você brinca dessa maneira?
- Pois bem, mamãe; não brincarei mais assim.


Atirando-se-lhe ao pescoço, pediu-lhe perdão, e ela ria do arrependimento do filho, vencida pelas suas carícias.

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FONTECHIAVARINO, SORRISOS de DOM BOSCO. VI Edição, Ed. Paulinas, São Paulo, 1959, o "sorriso" de hoje encontra-se à página 12.