quarta-feira, 8 de abril de 2015

2. Cabeça Rachada

O pequeno João, isto é, Dom Bosco em criança, desde a idade de quatro ou cinco aos já era grande apreciador de divertimentos. O seu brinquedo predileto era o jogo de “gala”, que consistia em rebater com um bastãozinho uma bola de madeira atirada pelo adversário. Porém, mais de uma vez, a bola, impelida por mão inábeis ou imprudentes, atingia-o na testa ou no rosto. Sentindo-se ferido, o garoto corria logo para junto da mãe, que vendo—o magoado e ensanguentado o repreendia assim:

Figura da pág. 9

- Por que é que você anda sempre com esses meninos? Não vê que eles são malvados?

- Mas eu ando com eles justamente por isso. Diante de mim comportam-se melhor e não dizem palavras feias.

- Mas, no entanto, você volta para casa com a cabeça rachada!

- Isso acontece... foi um desastre...

- Está bem... mas não fique mais na companhia deles.

- Mamãe! ...

- Você ouviu o que eu disse?

- Para satisfazê-la não os verei mais; mas pense nisso: quando estou com eles quem manda sou eu; só fazem o que eu quero e não há rixas nem conversas más.

A mãe ficou um tanto perplexa, mas quase com medo de impedir uma boa ação. Hesitou alguns momentos e depois permitiu que ele voltasse para brincar com os meninos.
Joãozinho parece que pressentia desde aquele tempo a nobre e grande missão que havia de cumprir em prol dos jovens. Todo satisfeito e risonho apesar da cabeça enfaixada, ele corria para continuar o jogo interrompido. Era ansiosamente esperado e aclamado por todos graças à sua alegria ingênua e suas saídas espirituosas. 

Assim que chegava gritava para os amigos em tom de brincadeira:


- Por favor, poupem-me a cabeça! Pelo menos a cabeça! ....

***

FONTECHIAVARINO, SORRISOS de DOM BOSCO. VI Edição, Ed. Paulinas, São Paulo, 1959, o "sorriso" de hoje encontra-se à páginas 7 a 10.

Um comentário:

José Arocha disse...

O guri já era santo desde criança................................................fui